Por Carol Souza
No dia 2 de novembro, estudantes da Universidade de São Paulo (USP) ocuparam a reitoria da instituição para reclamar do convênio estabelecido entre a USP e a Polícia Militar, onde esta faz a segurança dentro do campus, e exigir a retirada dos processos criminais e administrativos contra estudantes e trabalhadores. Tal fato vem repercutindo de modo que, em inúmeros blogs, sites ou redes sociais, a curtos intervalos de tempo, eclodem manifestos e opiniões públicas sobre o que está acontecendo.
De um lado, têm-se estudantes e cidadãos que defendem a proposta dos estudantes, com o argumento de que a universidade deve ser autônoma, sem politicagens e influências do Estado. Mas como falar isso, se tivemos a União Nacional dos Estudantes (UNE) estatizada a pouco menos de um ano, e com o Partido dos Trabalhadores apoiando o protesto dos Estudantes da USP? Esses dois últimos fatos não são, em si, prejudiciais, mas vão de contra ao que pregam os estudantes. Além disso, a gota d'água para a revolta foi a apreensão de três estudantes que consumiam maconha dentro do campos no dia 27 de outubro; não que isso nos leve a pensar que a pauta principal do protesto seja o livre uso de drogas na USP, mas se realmente não existe algo ilícito por trás, por que a exigência tão rígida da retirada da segurança feita pela PM na Cidade Universitária?
Há pouco tempo, uma jovem de 22 anos foi assaltada e baleada dentro do campus, por isso o reforço policial. Se os estudantes estão insatisfeitos com o desempenho da PM (estudantes estes que são uma ínfima fatia do universo da USP, pouco mais de 2%), informem à reitoria, exijam, de antemão, uma melhora das ações policiais, e não façam primeiro o tão arriscado plano B.

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