CRÔNICA
Por Reynaldo Netto
Num outro dia, fui induzido a utilizar minha face jornalística de forma mais escancarada. Estaria presente a tão esperada Thelma Guedes, co-autora do grande sucesso que comoveu e envolveu a família brasileira por inteira (papais e vovôs também), Cordel Encantado. A preparação veio com bastante antecedência; como me apresentar sem ao menos estudar um pouco sobre “a mulher”? E que mulherão! Thelma é representação viva de talento guiado pelo destino; pode ser como a peça de um tabuleiro colocada perfeitamente no lugar que lhe foi destinada. Um sonho de ser Regina Duarte, depois um ego excêntrico de alcançar Clarice Lispector nas palavras, mas nenhuma inspiração a deixou a quem dos desejos, a autora abre caminhos com as ferramentas próprias de quem é apaixonado pela literatura e sabe fazê-la.
De origens pernambucanas, o traço regionalista acompanhou a autora em Cordel Encantado que misturou o encantamento europeu dos contos de fadas e as expressivas características do povo nordestino com seus “livrinhos” distribuídos num varal. Quanta imaginação e ousadia, como misturar Shakespeare e Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião? Ela conseguiu!
A alegria e harmonia no trabalho desempenhado são estampados nas falas, risos e brincadeiras. A parceria com a também roteirista Duca Rachid foi um elo que agora parece indestrutível, mas gerando frutos tão bons, que nada se perca...
O acaso nesse caso, pode ser representação do sinal divino. O ser supremo parece brincar com os meros mortais, como se fôssemos marionetes e o curso da história estivesse ao sabor do vento. E que vento levou Thelma...mas claro que, sem uma dose extra de talento e persistência talvez não alcançasse um vôo tão sublime.
O que pareceu ao público, na maioria estudantes, é que Thelma é símbolo de luta e perseverança. A autora fazer uma visita ao nordeste é como se desse um retorno ao público que tanto sonhou com Cordel Encantado. Vontade de ouvir e aprender mais não faltou. Até breve, Thelma!
THELMA NA UESC - UM SEMINÁRIO, MAIS UM CONTO
Por Juliana Silva
“Eu sou filha de nordestinos” foi a primeira declaração de Thelma Guedes na palestra que aconteceu no dia 19 de dezembro de 2011.
Delicadeza, simplicidade e paixão são as palavras que talvez possam definir melhor a passagem da roteirista Thelma Guedes pela Universidade Estadual de Santa Cruz. Na palestra a autora distribuía elegância ao conversar com os estudantes. Chegou até a dizer que seu ego não era tão grande, quando foi questionada se gostaria de subir no palco.
A escritora dizia: “Eu sou uma pessoa apaixonada. Sou uma pessoa normal, então eu não vim ensinar nada. Sou ainda uma criança!”
Além de contar como começou a escrever e sua paixão pela literatura, se declarou fã nº 1 da escritora Clarice Lispector e da atriz Regina Duarte, sua vontade se ser artista já era nata. Thelma contou que lançou um livro de poesias, descreveu também sua trajetória como roteirista e como surgiu a ideia de escrever Cordel Encantado, juntamente com Duca, seu último e grande sucesso - confessou que nossas obras estão por vir.
Sobre o maior meio de comunicação de massa, a televisão, a autora defende que o veículo é um grande transmissor de conhecimento afirmando que: “A televisão quando bem feita é um veículo para a literatura também.”
Nesse mesmo clima a autora compartilhou com os estudantes algumas dicas de como se tornar um roteirista de sucesso, então anota aí:
1) É necessário ter um baú de referencias, porque é isso que vai sustentar na carreira profissional, referências literárias, de cinema e televisão.
2) Muita seriedade com os compromissos, isso é essencial par se manter em foco nesse tipo de trabalho e em qualquer outra atividade profissional.
3) Saber trabalhar em equipe é fundamental para a realização do trabalho.
4) E por último, a melhor dica, nunca perca o brilho nos olhos.
O que pareceu ao público, na maioria estudantes, é que Thelma é símbolo de luta e perseverança. A autora fazer uma visita ao nordeste é como se desse um retorno ao público que tanto sonhou com Cordel Encantado. Vontade de ouvir e aprender mais não faltou. Até breve, Thelma!
CORDEL ENCANTADO E O SEU ENCANTADO CORDEL
Por Ana Flávia Nery

Cordel Encantado mal acabou e já deixou muitas saudades. É raro encontrar um telespectador noveleiro que não tenha gostado dela. O uso de recursos cinematográficos, a qualidade técnica e artística da produção e o texto encantador foram algumas das características que cativou o público e a crítica em geral.
Logo no primeiro capítulo ficou evidente que a novela seria um sucesso. A possibilidade de vivenciar um mundo completamente distante do contexto social que o mundo está passando, agradou e atraiu uma parcela de espectadores que não assistia mais as novelas globais. Como ao se deixar seduzir por uma história que mistura, de uma forma atraente, o mundo dos contos de fadas e do cordel?

A presença maciça da cultura nordestina em toda a trama fez com que a população brasileira como um todo relembrasse do Nordeste, fugindo um pouco de novelas que somente se situam no eixo Rio - São Paulo. Infelizmente – como todas as produções televisivas – alguns equívocos foram cometidos, como por exemplo, a linguagem carregada e a caracterização estereotipada dos personagens.
Contudo, Cordel Encantado conseguiu superar os deslizes e conquistou aos poucos o seu lugar ao sol. A expectativa neste momento é que a Globo mostre mais vezes que ela tem capacidade de fazer novelas interessantes e diferentes, evitando a mesmice de histórias clichês.
Por Carol Souza
Literatura de cordel ou folheto vem é muito conhecido por nós através dos contos cotidianos da vida nordestina que eram contados oralmente, geralmente em forma rimada e depois transcrita em folhetos. Porém, a verdadeira origem vem de Portugal, no século XVI, na época do Renascimento, quando foi popularizado o registro impresso dos fatos e histórias, normalmente ilustrado pela xilografura, que entretiam a população, já que na Idade Média não existia televisão, rádio, jornais e o conhecimento da escrita e leitura se concentrava em mão de poucos.
A literatura ambulantes que era o cordel, foi se espalhando logo após para a Espanha, Inglaterra e toda Europa, até chegar na América e parar no Nordeste brasileiro, onde possui uma forte tradição. A diversão que se tinha acontecia nas feiras, onde os trovadores, menestréis e poetas contavam casos de aventuras, romances, ficções e lendas de todos os tipos para quem circulava pela feira, e tudo em forma de rima para facilitar a memorização dos contos, e com o passar do tempo começou o seu registro em folhetos.
A chegada ao nordeste se deu em meados do século XIX, onde os cegos e trovadores de feiras traziam as histórias dos feitos e aventuras heroicas de algum personagem guerreiro ou justiceiro nordestino (figura típica daquele período). Seu nome se dá pela forma como tais registros começaram a ser vendidos: pendurados em cordas e exibidos para os compradores. Já aqui no Nordeste, essa cultura de pendurar o cordel não ficou tão vigente; também eram vendidos em forma de livretos. No intuito de reunir os principais nomes do cordel do Brasil, foi fundada em 1988 a Academia Brasileira de Literatura de Cordel, com sede no Rio de Janeiro, e hoje os cordéis são vendidos em lonas ou estandes em feiras principalmente do Nordeste.
A literatura ambulantes que era o cordel, foi se espalhando logo após para a Espanha, Inglaterra e toda Europa, até chegar na América e parar no Nordeste brasileiro, onde possui uma forte tradição. A diversão que se tinha acontecia nas feiras, onde os trovadores, menestréis e poetas contavam casos de aventuras, romances, ficções e lendas de todos os tipos para quem circulava pela feira, e tudo em forma de rima para facilitar a memorização dos contos, e com o passar do tempo começou o seu registro em folhetos.
A chegada ao nordeste se deu em meados do século XIX, onde os cegos e trovadores de feiras traziam as histórias dos feitos e aventuras heroicas de algum personagem guerreiro ou justiceiro nordestino (figura típica daquele período). Seu nome se dá pela forma como tais registros começaram a ser vendidos: pendurados em cordas e exibidos para os compradores. Já aqui no Nordeste, essa cultura de pendurar o cordel não ficou tão vigente; também eram vendidos em forma de livretos. No intuito de reunir os principais nomes do cordel do Brasil, foi fundada em 1988 a Academia Brasileira de Literatura de Cordel, com sede no Rio de Janeiro, e hoje os cordéis são vendidos em lonas ou estandes em feiras principalmente do Nordeste.
CRÍTICA DA CRÍTICA
Por Letícia Ribeiro
Cordel Encantado foi, Sem dúvidas, uma das grandes surpresas da televisão em 2011, a produção se destacou não apenas pelo texto bem elaborado, mérito das autoras Thelma Guedes, Duca Rachid e Thereza Falcão, mas sim pelo conjunto da obra. Por isso, a novela tornou-se algo recorrente nas redes sociais, não só entre o público comum, mas principalmente entre a crítica que buscava a todo o momento uma “explicação teórica” para o sucesso que a trama vinha alcançando. Uma delas que parece bastante satisfatória foi publicada no site do Istoé Cultura, e assinada por Luciani Gomes.
Segundo Luciani, a novela global conquistou o público pela ousadia em buscar inspirações nos sonhos e na fantasia, para retratar uma obra de época, sem deixar de ser moderna e em que os telespectadores se identifiquem em algum momento.
A evolução da nossa teledramaturgia, com obras cada vez mais cotidianas e realistas, tornou-se exagerada e deixou poucos espaços para a fantasia, o público que vive intensamente a rotina da vida contemporânea encontrou na telenovela Cordel Encantado um escape. Marcada pela inovação, a trama trouxe elementos que nos remete aos tradicionais contos de fada misturados inusitadamente com as historias sertaneja e a literatura de cordel. Fundiram-se o conto de um reino europeu, com seus reis, rainhas e nobres, com a narrativa sobre o sertão nordestino, com sertanejos e cangaceiros, criando uma verdadeira fábula.
O sucesso dessa junção mostra como os telespectadores ainda buscam algo mágico, e que o transporte da vida real, levando-os a viver, nem que seja por alguns instantes, num mundo imaginário, onde príncipes e princesas existam e tenham sempre um final feliz.
Em sua essência a telenovela não é totalmente inovadora, nela encontramos ação, comédia, romance e aventura, assim como em todas outras, a diferença é a forma como esses aspectos foram incrementados no roteiro e o ritmo que foi empregado no desenrolar da trama, deixando os telespectadores fisgados na história diariamente. Além disso, outro aspecto que foi muito comentado pela crítica televisiva, foi as imagens com qualidade próximas ao cinema (fotografia feita em 24 quadros), a opção de cores e a iluminação trouxe ainda mais brilho e convencimento à obra.
A direção de Cordel Encantado, liderada por Amora Mautner e Ricardo Waddington, também merece aplausos, pois quem acompanhou toda a novela pôde perceber como foi trabalhosa sua produção, e mesmo assim, conseguiu ser contínua, sem mostrar desarmonia entre suas partes. Como colocado pela blogueira Amanda Aouad, Cordel Encantado não foi cuidadosa apenas no início, final e cenas importantes. Cada cena, cada capítulo tinha um cuidado especial na direção e fotografia que ajudavam a criar o clima da história e nos envolver a cada dia.
A equipe de arte foi muito feliz em suas escolhas, as roupas, os assessórios e os cenários estavam em perfeita harmonia, tanto nas cenas que retratavam o sertão nordestino, quanto nas cenas no reino de Seráfia. De acordo com as figurinistas, Marie Salles e Karla Monteiro, o figurino que mais deu trabalho para ser criado foi o do Rei Augusto, personagem de Carmo Dalla Vecchia. Mas, todas as roupas usadas na novela foram bastante elaboradas.
Como conseqüência deste trabalho, representado por todos os aspectos já citados e contando ainda com um elenco bem entrosado, Cordel Encantado obteve bons índices de audiência durante sua exibição, entre abril e Setembro de 2011, batendo recordes para o horário das 18h. Além disso, tornou-se praticamente unanimidade entre os críticos televisivos, que concordam em dizer, que a novela teve muito mais acertos do que erro, e, com certeza, já entrou para a história da teledramaturgia brasileira.
O texto de Luciani Gomes descreveu bem esses aspectos e contando com a ajuda do pesquisador de teledramaturgia da USP Claudino Mayer, expôs de forma clara e objetiva de onde vinha o sucesso da novela e qual foi o grande diferencial da narrativa de Thelma Guedes e Duca Rachid.
TT's DE HOJE: #CordelEncantado
Por Victor Brasileiro É indiscutível e inquestionável o grande sucesso que foi a novela Cordel Encantado. A novela foi ao ar em 2011 pela Rede Globo de Televisão e encantou os telespectadores com elementos regionais do nosso Nordeste brasileiro, com suas locações incríveis, brilhante trabalho da direção de arte e a sua fidelidade em relação aos figurinos e, principalmente, o mundo encantado dos contos de fada e fábulas.


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