quarta-feira, 16 de novembro de 2011

O Enem e seus percalços

Por Letícia Ribeiro


O Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) surgiu com o objetivo, simples e claro, de conhecer a qualidade do ensino médio no país. E, até então, era reconhecido pelos bons exemplos de organização, pois, seu exame era aplicado em todo país sem maiores percalços. Porém, desde que passou a funcionar como via de acesso para algumas universidades públicas, e a possibilitar a obtenção de bolsas de estudo para alunos de escolas particulares, o sistema apontou várias deficiências.

Recentemente foi aplicado mais uma prova do Enem, e, como nas edições anteriores o concurso foi repleto de falhas, que demonstram, mais uma vez, a desordem do ministério da educação, que mudou os critérios e os objetivos das avaliações, no entanto, não organizou corretamente o seu processo de produção, aplicação e resultados, ou seja, o sistema já mostrou-se falho em todos as etapas.

Já ocorreu a comercialização da prova por um funcionário do instituto responsável por ela (a corrupção, mais uma vez, prejudicando o povo, e, causando uma série de atrasos na vida de estudantes que não tinham culpa nenhuma por aquela ocorrência). Erros no site do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), onde os estudantes devem se inscrever nas vagas das universidades tornou-se comuns. E, para fechar, este ano houve vazamento de 14 questões, no Estado de Ceará, onde apostilas de estudo de uma escola de Fortaleza traziam algumas perguntas idênticas às aplicadas no Enem.


Diante dos graves problemas, a justiça pensou em anular o exame em todo o país. Ação que não seria justa com quase 100% dos estudantes, pois, num universo de 5 milhões de pessoas, apenas 639 alunos eram da escola em questão. Além disso, a reaplicação das provas custaria muito para os cofres públicos, e, ainda mais para o bolso do cidadão. Para se ter uma idéia, segundo o MEC (Ministério da Educação) a edição deste ano custou R$ 238,5 milhões.

A decisão tomada, até agora, é que as 14 questões serão anuladas para os alunos de Fortaleza, que com isso terão suas notas recalculadas. Contudo, ainda paira uma dúvida: como a escola teve acesso às questões e as publicou em suas apostilas?

A impressão é que muitos querem mostrar serviço, serem reconhecidos como alguém que transformou a educação no país, porém, tudo é feito às pressas, como dá, sem rigor algum. Para realizar uma prova de tanta importância e abrangendo todos os Estados é necessário o dobro de organização e rigor. E, educação não se muda de um mandato para outro, têm que ser resultado de um processo contínuo, que deve ter início na alfabetização e perdurar até o ensino superior. Para isso, o dinheiro público precisa ser mais bem administrado no setor educacional, que sem dúvida interfere em todos os outros setores da vida social.




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