quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Qual a sua opinião agora, telespectador?

Por Reynaldo Netto

O senador Jorge Viana, do PT do Acre, apresentou, na última segunda-feira (21), a proposta do novo Código Florestal à comissão de Meio Ambiente do Senado. É a última etapa antes da votação em plenário. Foram seis meses de discussão e alguns avanços. Entre eles, por exemplo, a forma de recuperar áreas de reserva legal. Como pode ser visto na primeira reportagem da série que o Jornal Nacional começou a exibir também na segunda.

O novo Código Florestal cria regras para a ocupação de 38% do território brasileiro (são 329 milhões de hectares de terras particulares, que vão de Norte a Sul do país). O código atual é ultrapassado, de 46 anos atrás, o país era predominantemente rural. Hoje, mais de 84% da população é urbana e isso dificulta a posição que o país quer ocupar no mundo.
Mas o projeto do novo Código Florestal, aprovado na Câmara dos Deputados em maio deste ano, não conseguiu o que se esperava dele: dar aos agricultores a segurança jurídica para produzir mais e mais alimentos. E, ao mesmo tempo, avançar na proteção ao meio ambiente.
Na série Globo Natureza, exibida em um dos jornais mais assistidos e prestigiados do país, o Jornal Nacional, a reportagem referente ao Código Florestal tenta cativar o telespectador na aprovação e conscientização dessa proposta. Uso abundante de paisagens naturais, matas, nascentes, rios, animais em seu habitat, agricultura familiar; tudo é usado como forma de conquista também pelo visual, além de um texto com traços românticos que preza a interdependêcia do homem e natureza.
Sustentabilidade ambiental é o objetivo do novo código e a Rede Globo parece pender para esse lado. Além disso, há abundantemente o índice que auxilia no sistema de promoção de valor no meio social, que seriam as entrevistas e relatos de especialistas. Mesmo apresentando-se nas reportagens também algumas contra-propostas, logo em seguida entra a fala compensatória.
Ironia ou não, a reportagem pode por em dúvida o telespectador, mas por doses homeopáticas diárias, o mesmo pode acabar seguindo a grande e potente formadora de opinião. 

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