Por Ana Flávia Nery
Desde o mês de setembro está acontecendo na Casa França-Brasil, no Rio de Janeiro, o projeto In-Drama, idealizado pela diretora teatral Christiane Jatahy. Tal evento visa homenagear o centenário do dramaturgo Nelson Rodrigues com diferentes releituras das suas obras, e para isso selecionou seis diretores de diferentes áreas artísticas para apresentar peças inspiradas no autor.
“O Beijo no Asfalto” foi a história escolhida para o mês de novembro, tendo o artista plástico, Guga Ferraz como diretor, que procurou fazer uma performance bem, digamos, diferente. Uma fotografia ampliada amarrada no teto que mostrava dois rapazes se beijando e um caldeirão com piche dentro, colocado no centro do espaço, foram os únicos objetos cênicos de toda a apresentação. Em entrevista, Guga Ferraz disse que visava apresentar uma peça que despertasse no público os sentidos sonoros e olfativos e para isso optou por fazer uma releitura em forma radiofônica. A história conta um momento da vida de Arandir, que ao ver um homem atropelado, o beija na boca, a fim de realizar o seu último desejo. Toda a história é narrada em três dias, fazendo com que o espectador descubra o final apenas no terceiro dia. Apesar de a inovação visar prender a atenção o público, suplício foi a palavra-chave da noite, já que, todos tiveram que escutar toda a história em pé e com uma má qualidade sonora, causada pela reverberação do local.
A desatenção geral e as conversinhas paralelas se sobressaíram a todo o momento. Apesar de algumas pessoas acharem que esse efeito dispersivo era intencional, nada me leva a crer que essa era mesmo a intenção do diretor.
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