Por Ingrid Barbosa

Estreou no dia 18 de novembro a primeira parte do filme Amanhecer. Para os que se identificam com a Saga Crepúsculo a trama foi considerada a mais esperada do ano de 2011. Assim que chegou no cinema da minha cidade fui correndo assistir e apesar de saber que nenhuma adaptação cinematográfica é fiel a literatura, e nem tem como ser (já que um livro explora todos os detalhes da história), considero muito interessante a maneira que o diretor Bill Condon conduziu a trama.
Muitas críticas surgiram na internet, a maioria expressando pontos de vista negativo em relação ao filme e até mesmo a literatura da autora da Saga Crepúsculo, Stephenie Meyer. A revista Veja também publicou na sua categoria de cinema, um texto da jornalista Isabela Boscov, especializada em crítica cinematográfica. A crítica construída pela jornalista se baseia na atuação dos personagens e o texto tem como título a seguinte frase: “Mas que gente mais blasée”.
Para quem ainda não sabe, a expressão “blasée” é francesa e está na moda. Serve para caracterizar pessoas que observam o mundo com ar de deboche, na certeza que já viu e já sabe de tudo que existe nele e por isso nada mais lhe é agradável ou surpreendente. Ser “blasée” é se achar superior a qualquer influência externa é ter a convicção de que ninguém pode ser melhor que você, porque você, já é bom o bastante. A jornalista da Veja frisa exatamente essa ideia, quando diz que Robert Pattinson (o vampiro Edward) e Kristen Stewart (Bella Swan) não conseguiram evoluir seus personagens, se habituaram a eles e logo não souberam proporcionar em Amanhecer parte 1, a sensação de emoção e envolver seus espectadores. Ela afirma ainda que, lastimavelmente, os atores estão se achando bons demais e, portanto, nutrem a ideia de que não precisam melhorar. Assim então, podemos entender o porquê do seu título tão tendencioso, algo que, a meu ver, não tem fundamento.
A crítica alfineta de todo modo a interpretação dos protagonistas da trama, mas, visualizo a atuação destes, pertinente ao que li no livro. Talvez esse seja o problema das adaptações cinematográficas da Saga Crepúsculo, onde para que os telespectadores possam entender francamente o que acontece na história, tenham que ter realizado a leitura das obras. Um fã da Saga que leu todos os exemplares e depois foi ao cinema acompanhado de alguém que não fez essa leitura sabe do que estou falando. A gente tem que explicar coisas que acompanhando apenas pelo filme não dar pra entender. É o quê ocorre quando, por exemplo, Jacob (Taylor Lautner) sofre o “imprinting” com a filha do casal (Edward e Bella). O fenômeno “imprinting” acontece quando os lobos se apaixonam perdidamente de corpo e alma por alguém. Esse sentimento é mais forte do que qualquer coisa que há no mundo e a alma gêmea do lobo será amada por toda vida, jamais ficando desprotegida. Portanto nada nem ninguém poderá fazer mal a ela.
Amanhecer Parte 1 retrata o casamento, a gravidez e a transformação de Bella Swan (Kristen Stewart) em Vampira. Julgo irrelevantes comentários de pessoas que criticam negativamente a narrativa de Stephenie Meyer, produzindo discursos pejorativo em relação a história. Claro que existem inúmeras narrativas fictícias de Vampiro, Lobisomem e amores impossíveis, mas a autora inovou e encantou muita gente pela maneira que construiu sua obra. Já quanto às críticas em relação às produções cinematográficas, considero como bem vindas, pois, qualquer produção de cinema tem suas gafes, gafes estas que, na maioria das vezes, passam despercebidas ao público de massa mas que precisam ser comentadas.
Algumas gafes são inexplicáveis. Todos sabem que na Saga, o vampiro brilha ao se expor a luz do sol e, no entanto, na lua de mel no Brasil em plena luz do dia na cachoeira da “Ilha Esme” Edward (Robert Pattinson) não aparece, em momento algum, cintilante. Outro aspecto observado é como o pai de Bella, que tanto zela por ela aceita suas desculpas descabidas de uma simples doença, quando na verdade são os dias da sua gestação que vem matando-a aos poucos. Pelo perfil do pai traçados nas produções anteriores, mesmo a garota estando casada, ao conversar com ela com tanta freqüência, o pai iria perceber que alguma coisa estava errada e certamente buscaria a filha onde for que ela estivesse. Pelo que me recordo, na literatura a personagem se limita ao máximo de falar com pai.
Concordo com alguns críticos que afirmam que o filme muda totalmente a partir do momento em que a protagonista descobre estar grávida. A narrativa ganha emoção, tensão e, a trilha sonora faz com que os espectadores lembrem os filmes anteriores. Não tem o que contestar, como na obra, o filme no início é calmo e cria muitas expectativas sobre a lua de mel do casal. No decorrer da narrativa os antigos conflitos voltam a aparecer e como sempre o ator Taylor Lautner dar um show de interpretação. Como ressaltei anteriormente, acredito que certas coisas como o fenômeno “impriting” era uma condição básica da que necessitava ser explicado desde quando Jacob (Taylor Lautner) descobre ser um lobo. Em contra partida, a representação desse fenômeno é mostrado pela primeira vez no final de Amanhecer Parte 1, quando Jacob transbordando de raiva vai pegar a criança dos braços de Rosalie (Lillian Hale) para matá-la, ao pensar que sua amada Bella tinha falecido no parto. Ao se deparar com a criança, olho no olho sofre o “impriting”. Isso possilita ao filme um final eletrizante, enchendo os espectadores de emoção.
A exibição do Brasil no filme foi outro ponto crítico. Muitos se sentem desvalorizados pelo fato de como representaram a cidade do Rio de Janeiro - samba e festa, como se o Brasil só tivesse isso. As imagens captadas são de várias pessoas sambando alegremente, mas eu pergunto: o Brasil não é reconhecido, pelos outros países, justamente pela alegria do seu povo, o samba no pé e o multiculturalismo? Nosso idioma foi preservado na trama, fazendo com que o ator contracenasse com uma “nativa” falando em português, desobrigando-a falar na língua inglesa. Além disso, as belezas naturais, a tranqüilidade e o aconchego que o nosso país oferece não passaram inutilmente aos nossos olhos.
Parabenizo a pós-produção do longa-metragem. A computação gráfica e seus efeitos especiais como também, a equipe de maquiagem que caracterizaram impecavelmente a gravidez sofrida de Bella. No filme, uma transformação bem convincente leva os espectadores a acreditar na debilitação da personagem. Bella se transmuta praticamente em morta-viva, os olhos fundos, super magra (apesar do barrigão), cheia de hematomas e de tão fraca sua coluna vertebral chega a quebrar, e apesar de que em filmes tudo é possível, dar pra sentir na sala de cinema o desespero e a tensão dos espectadores ao presenciar a cena.
Bem no finalzinho, o filme traz uma animação que prende nosso olhar diante a tela. A transformação de Bella em Vampira acontece sob um ponto de vista interior. Em vez de mostrá-la agonizando, lutando contra a queimação provocada pelo veneno o diretor prefere retratar a infiltração do mesmo percorrendo por todas as veias do corpo da personagem até chegar ao coração. Com essa gama de aspectos positivos que descrevi nessa crítica, percebo que Amanhecer supriu minhas expectativas e como fã da Saga, fiquei satisfeita com a produção, embora eu leve em conta que detalhes como no livro eu nunca vou obter nesse tipo de meio. Mas, isso não quer dizer nada em relação a sensação que sentir ao ver Bella abrindo aqueles olhos vampirescos e em seguida um Black cobrindo toda tela. Só sei que a ansiedade foi incalculável. Estou na comissão de frente da torcida, para que a chegada do próximo longa-metragem aqui no Brasil seja breve.













