quinta-feira, 24 de novembro de 2011

O mundo acaba, mas Malhação não...

Por Ana Flávia Nery

Desde 1995 – isso mesmo, 1995 – o programa “Malhação”, exibido pela TV Globo tem um lugarzinho reservado na programação semanal. Não é novidade para ninguém que a atração já alterou – e como – o seu formato, mas sempre buscou priorizar assuntos ligados aos jovens, seu principal público alvo.

          Ai está a questão, o jovem. Por estar há tanto tempo no ar e ter que acrescentar a cada edição um tempero novo a história, Malhação tem se distanciado cada vez mais desse público. Haja criatividade dos roteiristas para fazer, a cada ano, histórias diferentes enfocando os mesmos problemas juvenis.

Outro ponto que vale a pena questionar é a utilização de atores adultos, para interpretar papéis de adolescentes na trama. Não é possível que não existam atores adolescentes com talento para protagonizarem a novela. O propósito de Malhação não é divulgar novos talentos? Então, qual o problema de contratar atores entre 13 e 18 anos para interpretar personagens com a mesma faixa etária?
O próprio nome Malhação já perdeu o contexto com que foi criado. Nos primeiros anos da trama, as histórias se passavam em uma academia, se encaixando perfeitamente ao nome da série. Mas, com o passar do tempo, o cenário passou para uma escola, que já fez com que o sentido do nome se perdesse. É lógico que os produtores do programa optaram por continuar com o mesmo nome porque já era conhecido do público, mas não se priorizou o contexto com que o programa estava inserido na atualidade.

A edição atual, chamada Malhação Conectados, aparenta que se perdeu na própria história. O enfoque as questões espirituais está tão intenso que, particularmente, me faz pensar que estou assistindo a novela das seis. Os dilemas que movem os adolescentes, está em segundo plano.

É inquestionável que Malhação já fez a alegria de milhares de jovens brasileiros por todos esses anos, mas, infelizmente, tudo o que é bom acaba. Os baixos índices de audiência só confirmam que Malhação já enjoou.  


Qual a sua opinião agora, telespectador?

Por Reynaldo Netto

O senador Jorge Viana, do PT do Acre, apresentou, na última segunda-feira (21), a proposta do novo Código Florestal à comissão de Meio Ambiente do Senado. É a última etapa antes da votação em plenário. Foram seis meses de discussão e alguns avanços. Entre eles, por exemplo, a forma de recuperar áreas de reserva legal. Como pode ser visto na primeira reportagem da série que o Jornal Nacional começou a exibir também na segunda.

O novo Código Florestal cria regras para a ocupação de 38% do território brasileiro (são 329 milhões de hectares de terras particulares, que vão de Norte a Sul do país). O código atual é ultrapassado, de 46 anos atrás, o país era predominantemente rural. Hoje, mais de 84% da população é urbana e isso dificulta a posição que o país quer ocupar no mundo.
Mas o projeto do novo Código Florestal, aprovado na Câmara dos Deputados em maio deste ano, não conseguiu o que se esperava dele: dar aos agricultores a segurança jurídica para produzir mais e mais alimentos. E, ao mesmo tempo, avançar na proteção ao meio ambiente.
Na série Globo Natureza, exibida em um dos jornais mais assistidos e prestigiados do país, o Jornal Nacional, a reportagem referente ao Código Florestal tenta cativar o telespectador na aprovação e conscientização dessa proposta. Uso abundante de paisagens naturais, matas, nascentes, rios, animais em seu habitat, agricultura familiar; tudo é usado como forma de conquista também pelo visual, além de um texto com traços românticos que preza a interdependêcia do homem e natureza.
Sustentabilidade ambiental é o objetivo do novo código e a Rede Globo parece pender para esse lado. Além disso, há abundantemente o índice que auxilia no sistema de promoção de valor no meio social, que seriam as entrevistas e relatos de especialistas. Mesmo apresentando-se nas reportagens também algumas contra-propostas, logo em seguida entra a fala compensatória.
Ironia ou não, a reportagem pode por em dúvida o telespectador, mas por doses homeopáticas diárias, o mesmo pode acabar seguindo a grande e potente formadora de opinião. 

Senado por um país sem cigarro?

Por Carol Souza



        Na última terça-feira, dia 22 de novembro, foi a provada a Medida Provisória (MP) que amplia a lei antifumo para todo o país, e isso, como é de se esperar, gera muita polêmica. Para começar, a lei proíbe a existência dos fumódromos em lugares públicos e privados, para proteger o indivíduo do fumo passivo, comprovadamente prejudicial. A controvérsia causada nesse quesito, se dá pelo fato de que muitas pessoas não se importam em estar perto de fumantes, e que consideram inconveniente a medida tomada pelo Senado.

        Para reforçar a lei, o preço do cigarro terá um aumento abissal até 2012, tentando controlar o consumo do mesmo, através do estabelecimento de 300% do IPI para o cigarro. E será que resolve? Quem é viciado e não consegue parar, ou fuma há anos, não vai deixar a prática/hábito pelo aumento do custo (ou pelo menos a grande maioria não o fará). O mesmo resultado, tão falho quanto o do aumento de preço, deve acontecer com a decisão da MP de utilizar mais espaço da embalagem do cigarro para fazer alertas dos malefícios causados pelo tabaco. Mas todos já sabem! Todos enxergam no lado de trás da caixinha! Colocar mais avisos na frente vai adiantar mesmo?

        Talvez uma solução válida seria a da prevenção, uma educação básica sobre os riscos do cigarro e seus prejuízos à saúde, ou seja, uma mudança de hábitos da sociedade como um todo, da mentalidade de crianças, jovens e educadores. Lógico que medidas tomadas pelo Senado são bem-vindas contra o uso do cigarro, mas concentrar forças em medidas preventivas seria bem melhor do que uma conscientização considerada autoritária e até fascista por muitos neste país.

Reclamar por meio das redes sociais dá certo

Por Ingrid Barbosa 

        As redes sociais se transformaram em importante ferramenta a favor de consumidores insatisfeitos. As empresas monitoram atentamente o que se diz delas nas redes sociais e, em alguns casos, reagem mais rápido do que ao telefonema de reclamação.
       Na edição desta terça-feira,  22 de novembro de 2011, foi exibida no Jornal Globo a história da analista de contas, Caroline Andreo,  que reclamou, por meio de uma rede social, sobre uma alergia de pele que sofreu depois de usar um desodorante novo. Em poucas horas, recebeu uma mensagem do fabricante, que foi até a casa dela, recolheu o produto e ofereceu atendimento médico.
        Caroline ficou surpresa, afirmou imaginar que o problema iria causar polêmicas e por isso seria resolvido rapidamente, mas, não tão rápido assim, no mesmo dia. A gerente de relacionamento com o consumidor, Betânia Gattai, diz que as reclamações que chegam pela internet são, de fato, solucionadas mais rapidamente.
“As redes sociais, sem dúvida nenhuma, carregam um desafio maior porque é uma exposição maior da marca, num universo coletivo e a gente entende que então a nossa atuação tem que ser mais rápida, mais eficiente, mais direta”.
        Na internet, o sistema funciona da seguinte forma: uma agência faz um rastreamento das queixas de consumidores em uma rede social bastante popular e as empresas prestadoras de serviços instantaneamente ficam sabendo a respeito do assunto. Em 2010, foram contabilizadas 57 mil postagens, já em 2011, os especialistas da área, realizaram outra pesquisa no mês de setembro e constataram que a quantidade de queixas registradas foi quase quatro vezes maior.
        Hoje, para o consumidor, reclamar através das redes é a melhor opção, já que, a informação se espalha velozmente atingindo inúmeros navegadores de todo lugar do mundo. As pessoas que visualizam a reclamação através da internet, sucessivamente comentam com familiares e amigos e a propaganda negativa vai se espalhando, fazendo com que ninguém queira adquirir o produto daquela determinada empresa.
        Segundo o responsável pelo estudo, Alessandro Barbosa, algumas empresas até dão mais prioridade ao atendimento pelas redes sociais do que o atendimento tradicional pelo telefone e isso é uma coisa natural que vem acontecendo. A gente acredita que no máximo em cinco anos muito dos atendimentos que é feito por telefone vai migrar totalmente para as redes sociais.
       Essa via dupla de informação, realmente foi criada para facilitar a vida do cidadão. Diferente de qualquer outro meio de comunicação, onde os produtos são anunciados, adquiridos e somente as empresas ganham respaldo, pois o consumidor não tem como expor sua opinião a respeito, a internet, apesar de ainda ser, para muitos, um sistema inacessível, surge como solucionista dessa problemática portando voz ao consumidor, sem restrição. A internet, de diversas maneiras, vem proporcionando a interação direta entre mercador e consumidor e isso, com certeza, é considerado um grande passo para o fim dos problemas existentes, principalmente, a falta de assistência.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Um beijo, um Nelson, um asfalto

Por Ana Flávia Nery

Desde o mês de setembro está acontecendo na Casa França-Brasil, no Rio de Janeiro, o projeto In-Drama, idealizado pela diretora teatral Christiane Jatahy. Tal evento visa homenagear o centenário do dramaturgo Nelson Rodrigues com diferentes releituras das suas obras, e para isso selecionou seis diretores de diferentes áreas artísticas para apresentar peças inspiradas no autor.

“O Beijo no Asfalto” foi a história escolhida para o mês de novembro, tendo o artista plástico, Guga Ferraz como diretor, que procurou fazer uma performance bem, digamos, diferente. Uma fotografia ampliada amarrada no teto que mostrava dois rapazes se beijando e um caldeirão com piche dentro, colocado no centro do espaço, foram os únicos objetos cênicos de toda a apresentação.  Em entrevista, Guga Ferraz disse que visava apresentar uma peça que despertasse no público os sentidos sonoros e olfativos e para isso optou por fazer uma releitura em forma radiofônica.

A história conta um momento da vida de Arandir, que ao ver um homem atropelado, o beija na boca, a fim de realizar o seu último desejo.  Toda a história é narrada em três dias, fazendo com que o espectador descubra o final apenas no terceiro dia. Apesar de a inovação visar prender a atenção o público, suplício foi a palavra-chave da noite, já que, todos tiveram que escutar toda a história em pé e com uma má qualidade sonora, causada pela reverberação do local.

A desatenção geral e as conversinhas paralelas se sobressaíram a todo o momento. Apesar de algumas pessoas acharem que esse efeito dispersivo era intencional, nada me leva a crer que essa era mesmo a intenção do diretor. 

Você conseguiria ficar ao menos 1 dia sem usar qualquer tipo de tecnologia?

Por Ingrid Barbosa

No século XXI, era das comunicações, é quase impossível viver sem tecnologia. As pessoas se tornaram dependente do seu uso e mal conseguem ter um dia produtivo sem elas. Celular, notebook, tablet, aparelhos de áudio - os famosos "MPs", computador, câmeras digitais, pendrives, video games entre outros, são imprescindíveis na vida do ser humano.
Uma matéria exibida nesta quinta, 17 de novembro, no programa Mais Você, desafiou a apresentadora Ana Maria Braga a ficar 24h sem tecnologia. Ana Maria mostrou que é possível, mas não é fácil. “Foi um sufoco. O calvário continuou e fui dormir cedo. Você não percebe e fica em uma dependência mesmo dos aparelhos, mas ficar sem eles abre novas oportunidades”, disse.
Muitas pessoas ainda vivem sem tecnologia, mas, para quem  teve a oportunidade de conhecer e adquiriu algum tipo de aparelho não consegue permanecer sem. Hoje em dia, ficar sem celular é sinônimo de estar perdido. Se o aparelho descarrega, o sujeito fica em tempo de entrar em um colapso. Todo tipo de atividade profissional ganha agilidade se estiver veinculada ao meio digital.
A internet, por exemplo, proporciona além da agilidade, variadas fontes de pesquisa e interação. Grande parte das maneiras de se divertir estão interligadas a tecnologia, mas, nem sempre isso é bom.
Tudo que é demais não vale a pena. Dedicar todo seu tempo as tecnolgias não faz bem. Então, por mais que as tecnologias facilitem sua vida, não seja tão dependente delas. Preocure outras maneiras de se divertir, leia um jornal impresso, um livro, use a natureza, converse pessolmente com seus amigos e famíliares, assim com certeza, você viverá melhor.     

A gota d'água

Por Reynaldo Netto


Com um texto teatral, figuras “globais” e interpretações dignas de palco, o Movimento Gota D’Água se apresenta à população brasileira com um toque mais do que expressivo. O movimento surgiu da necessidade de transformar indignação em ação, através disso, o grupo decidiu envolver a sociedade brasileira na discussão de grandes causas que impactam o país.

A primeira campanha do movimento discute o planejamento energético do país , como no caso do projeto da hidrelétrica de Belo Monte, a mais polêmica obra do PAC. Foi produzido um vídeo, onde atores interpretam seu papeis como cidadão ou até terceiros personagens, num fundo branco, tudo bem simples. O que choca, são as informações bombardeadas aos espectadores e a força do texto feito para comover. O que resta em nós após os 5 minutos de vídeo é a indignação por uma obra sem cabimento, sem senso ambiental, e inclusive social, com valores orçamentais exorbitantes que serão pagos através dos impostos pagos por nós mesmos.

A missão do movimento é comover a população para causas socioambientais utilizando as ferramentas da comunicação em multiplataforma.  O primeiro vídeo já conquistou o público nas redes sociais, blogs e diferentes meios comunicacionais, em 24 horas de postado no Youtube, atingiu mais de 60.000 visualizações. Além do mais, há o pedido de assinatura numa petição para por fim ao projeto que já conquistou mais de 31.000 assinaturas.

A corrente proposta pelo Movimento Gota D’Água, sem dúvida cativa e induz o cidadão brasileiro a refletir e agir pela preservação das matas e dos nativos da região de Belo Monte. A preservação do nosso planeta pode estar sempre ao nosso alcance e unindo forçar qualquer causa pode ser conquistada. Além do que, de gota em gota que se fazem os grandes oceanos.


Conheça o movimento e também assine a petição aqui

Um Olhar Para o Novo Cinema

Por Victor Brasileiro.



Aconteceu em Vitória da Conquista, entre os dias 8 e 12 de Novembro, A sétima Mostra Cinema Conquista. O evento reuniu diretores, produtores, autoridades, alunos de Cinema e Comunicação, e até mesmo telespectadores de diversas partes do estado. O evento aconteceu no Centro de Cultura Camilo de Jesus Lima, onde foram promovidas exibições de filmes e curtas.
Com o intuito de contribuir na formação cinematográfica dos seus participantes - o que aparentemente não foi tão aproveitado pelos espectadores, uma vez que as exibições eram regadas de cochichos e toques desprevenidos de celular - a Mostra trouxe esse ano grandes nomes do cinema nacional. Uma mesa redonda foi composta nas conferências que abordaram diversos assuntos como "Cinefilia, o cinema que alimenta nossas memórias afetivas" - conduzida pelo jornalista e crítico de cinema Marcelo Miranda, e apresentada pelo professor e doutor do curso de cinema da UESB, Cristiano Figueira. Outra conferência foi a realizada pelo documentarista e professor Silvio Tender, intitulada "Técnicas e Procedimentos da Entrevista no Documentário".Foram ministradas também oficinas, como a de Direção Geral em Cinema, e Direção de Arte em Cinema, conduzida pelo premiado diretor Moacyr Gramacho. As oficinas tinham como proposta, intensificar os estudos na área e discutir sobre várias formas de direção e quais as possibilidades de inovação nessa área.
O cineasta baiano, Guido Araújo, foi o grande homenageado dessa edição do evento, e recebeu o troféu homenagem das mãos da coordenadora do curso de cinema da Uesb, Milene Gusmão. No último dia da Mostra, onde centenas de pessoas compareceram ao centro de cultura para assistir aos curtas "Tela", de Carlos Nader, e "Calma, Monga, Calma", de Petônio de Lorena, o o longa "O Homem Que Não Dormia", do diretor Edgar Navarro (foto à direita). Ainda na cerimônia, foram exibidos dois curtas produzidos pelos alunos da oficina de Direção em Cinema, ministrada pelo cineasta Rodrigo Grota. Durante os 5 dias da mostra, esses oficineiros ( dentre eles, alunos da UESC, que partiram em caravana para participarem das atividades da mostra), tiveram a oportunidade de aprender - na prática - como é o trabalho de um diretor de cinema e o resultado foram os curtas "A Traída" e "Encontros". Que o evento acrescentou muito aos estudantes que participaram das conferências e oficinas ninguém duvida, agora em relação às exibições no centro de cultura, resta saber se as pessoas que ali estavam, foram para apreciar e conhecer produções brasileira de excelente qualidade, ou aproveitar os shows acompanhados de cerveja de graça que aconteciam depois das exibições.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Rocinha, Retomada e Recomeço

Por Carol Souza




A realização dos eventos "Rio+20" em 2012, a Copa Mundial de futebol em 2014 e as Olimpíadas em 2016 no Brasil, ou conscientização das autoridades para promover a segurança pública? Quaisquer que sejam os motivos, os moradores da Rocinha, da capital fluminense e, por que não, de todo o país, são gratos à parceria feita pelas polícias Militar, Civil, Federal e Rodoviária (com o apoio da Marinha) para ocupar e libertar a comunidade da violência do tráfico. Obviamente, desejava-se esse acontecimento há muito tempo; a favela da Rocinha e o Morro do Alemão- este também ocupado, há um ano- antes eram territórios inacessíveis para a polícia. Motivos? Corrupção vinda dos policiais, que fazia com que os bandidos articulassem a sua defesa; receio da própria população das favelas de ajudar nas operações, uma vez que estas costumavam tirar a vida de inocentes, dentre outros fatores complexos.

Ao contrário do processo de ocupação do Morro do Alemão, as estratégias utilizadas para livrar a rocinha do domínio dos traficantes foram minunciosamente escolhidas. Em primeiro lugar, os agentes não dispararam tiros para executarem a operação, conquistando assim a confiança dos moradores da favela, que deram uma considerável contribuição, e bem mais efetiva, para os policiais, que receberam mais de 300 ligações através do Disk - denúncia em apenas dois dias. Além disso, os policiais já previam a retirada dos traficantes para outras comunidades, como tentou fazer o traficante mais procurado da Rocinha, o Nem, capturado da madrugada da última quinta, dia 10. Mesmo assim, os policiais sabiam que em outras favelas os bandidos já não terão tanta força.Para melhorar a situação, a favela ganhará uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) para manter a segurança no local. Contudo, é necessário que se mantenha a segurança juntamente com outras necessidades de uma população, como educação e saúde. É preciso que a retomada da Rocinha e a implantação da UPP seja apenas um primeiro passo para a melhora da qualidade de vida e fomentar a esperança da população da Favela.

O Enem e seus percalços

Por Letícia Ribeiro


O Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) surgiu com o objetivo, simples e claro, de conhecer a qualidade do ensino médio no país. E, até então, era reconhecido pelos bons exemplos de organização, pois, seu exame era aplicado em todo país sem maiores percalços. Porém, desde que passou a funcionar como via de acesso para algumas universidades públicas, e a possibilitar a obtenção de bolsas de estudo para alunos de escolas particulares, o sistema apontou várias deficiências.

Recentemente foi aplicado mais uma prova do Enem, e, como nas edições anteriores o concurso foi repleto de falhas, que demonstram, mais uma vez, a desordem do ministério da educação, que mudou os critérios e os objetivos das avaliações, no entanto, não organizou corretamente o seu processo de produção, aplicação e resultados, ou seja, o sistema já mostrou-se falho em todos as etapas.

Já ocorreu a comercialização da prova por um funcionário do instituto responsável por ela (a corrupção, mais uma vez, prejudicando o povo, e, causando uma série de atrasos na vida de estudantes que não tinham culpa nenhuma por aquela ocorrência). Erros no site do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), onde os estudantes devem se inscrever nas vagas das universidades tornou-se comuns. E, para fechar, este ano houve vazamento de 14 questões, no Estado de Ceará, onde apostilas de estudo de uma escola de Fortaleza traziam algumas perguntas idênticas às aplicadas no Enem.


Diante dos graves problemas, a justiça pensou em anular o exame em todo o país. Ação que não seria justa com quase 100% dos estudantes, pois, num universo de 5 milhões de pessoas, apenas 639 alunos eram da escola em questão. Além disso, a reaplicação das provas custaria muito para os cofres públicos, e, ainda mais para o bolso do cidadão. Para se ter uma idéia, segundo o MEC (Ministério da Educação) a edição deste ano custou R$ 238,5 milhões.

A decisão tomada, até agora, é que as 14 questões serão anuladas para os alunos de Fortaleza, que com isso terão suas notas recalculadas. Contudo, ainda paira uma dúvida: como a escola teve acesso às questões e as publicou em suas apostilas?

A impressão é que muitos querem mostrar serviço, serem reconhecidos como alguém que transformou a educação no país, porém, tudo é feito às pressas, como dá, sem rigor algum. Para realizar uma prova de tanta importância e abrangendo todos os Estados é necessário o dobro de organização e rigor. E, educação não se muda de um mandato para outro, têm que ser resultado de um processo contínuo, que deve ter início na alfabetização e perdurar até o ensino superior. Para isso, o dinheiro público precisa ser mais bem administrado no setor educacional, que sem dúvida interfere em todos os outros setores da vida social.




quinta-feira, 10 de novembro de 2011

A voz do ouvinte

Por Reynaldo Netto


Realizado no sábado 29 de outubro, a Audiência Pública teve a finalidade de discutir a construção do Porto Sul, previsto para ser implantado numa área da Mata Atlântica, ao norte da cidade de Ilhéus. O evento que começou ás 14 horas e terminou ás 5 horas do domingo, foi um espaço democrático onde diversos setores da sociedade regional puderam se manifestar.

Tendo como parâmetros 3 rádios bastante populares em Ilhéus (Rádio Cultura, Santa Cruz e Conquista FM), é notória e explícita a opinião da massa da população. Tendo em vista todos os investimentos e desenvolvimentos propiciados pela implantação do Porto Sul, a grande maioria que liga e participa ao vivo dos programas mais ouvidos, corrobora com o projeto e acredita num grande desenvolvimento que sem dúvida também atingirá suas famílias.

As rádios recebem diariamente dezenas de ouvintes querendo expor suas idéias, revelar acontecimentos e até reunir forças para lutar contra ou a favor da implantação do porto. Um dos veículos mais rápidos e dinâmicos do mundo, aqui no sul da Bahia é ainda sem dúvida grande formador de opinião e procura caminhar sempre “ao lado do povo”.

Um dos programas mais populares das manhãs de Ilhéus, O tabuleiro em sua versão online, aborda o tema.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Para estrear: Autonomia Universitária ou Baderna?

Por Carol Souza



No dia 2 de novembro, estudantes da Universidade de São Paulo (USP) ocuparam a reitoria da instituição para reclamar do convênio estabelecido entre a USP e a Polícia Militar, onde esta faz a segurança dentro do campus, e exigir a retirada dos processos criminais e administrativos contra estudantes e trabalhadores. Tal fato vem repercutindo de modo que, em inúmeros blogs, sites ou redes sociais, a curtos intervalos de tempo, eclodem manifestos e opiniões públicas sobre o que está acontecendo. 

De um lado, têm-se estudantes e cidadãos que defendem a proposta dos estudantes, com o argumento de que a universidade deve ser autônoma, sem politicagens e influências do Estado. Mas como falar isso, se tivemos a União Nacional dos Estudantes (UNE) estatizada a pouco menos de um ano, e com o Partido dos Trabalhadores apoiando o protesto dos Estudantes da USP? Esses dois últimos fatos não são, em si, prejudiciais, mas vão de contra ao que pregam os estudantes. Além disso, a gota d'água para a revolta foi a apreensão de três estudantes que consumiam maconha dentro do campos no dia 27 de outubro; não que isso nos leve a pensar que a pauta principal do protesto seja o livre uso de drogas na USP, mas se realmente não existe algo ilícito por trás, por que a exigência tão rígida da retirada da segurança feita pela PM na Cidade Universitária?

Há pouco tempo, uma jovem de 22 anos foi assaltada e baleada dentro do campus, por isso o reforço policial. Se os estudantes estão insatisfeitos com o desempenho da PM (estudantes estes que são uma ínfima fatia do universo da USP, pouco mais de 2%), informem à reitoria, exijam, de antemão, uma melhora das ações policiais, e não façam primeiro o tão arriscado plano B.